quinta-feira, 31 de julho de 2008

CD "O samba é minha nobreza"

O artigo a seguir foi enviado por Otávio ( Grawata) depois de escutar o CD "O samba é minha nobreza". São 2 CD's e o primeiro segue abaixo:

CD1:
http://www.mediafire.com/?0lzbgvm99jl

Pancada do samba
Heitor dos Prazeres ensina que "Mulher de malandro sabe ser/ Carinhosa de verdade/ Ela vive com tanto prazer/ Quando mais apanha/ A ele tem amizade". A dupla Francisco Alves e Ismael Silva ou só Ismael, se se é daqueles que chamam Chico Viola de comprositor ) traz lições edificantes: Amor é o de malandro, meu bem/ Melhor do que ele ninguém/ Se ele te bate/ É porque gosta de ti/ Pois bater em quem não se gosta/ Eu nunca vi".
Ary Barroso fez sua fabulosa mão esquerda batucar as teclas do piano, e nasceu a marchinha Dá nela: "Esta mulher/ Há muito tempo me provoca/ Dá nela, Dá nela/ É perigosa/ Fala mais que pata choca/ Dá nela, dá nela". Lamartine Babo entrega suas intenções já no título de um samba, Só dando com uma pedra nela. Noel Rosa foi-lhe atrás com esta pérola de sadismo: "Mas que mulher indigesta/ Merece um tijolo na testa".
André Filho, autor de Cidade maravilhosa, mostra o lado masoquista da questão em Mulato de qualidade, gravado por Carmen Miranda: "Vivo feliz no meu canto sossegada/ Tenho amor, tenho carinho/ Tenho tudo, até pancada". A mesma Carmen canta do mesmo André Filho esta incrível revelação: "Tu ficas em casa/ E eu vou pra rua trabalhar/ Tu és meu homem do peito/ Não podes te amofinar/ Tu não és mau/ És bom demais/ E se me dás tanta pancada/ É porque eu gosto e te peço".
Com samba de Ernani Alvarenga, o bloco Vai Como Pode desfila na Praça Onze: "Lá vem ela chorando/ O que que ela quer?/ Pancada não é, já dei/ Mulher da orgia/ Quando começa a chorar/ Quer dinheiro/ Dinheiro não há". Alvarenga volta ao tema: "Mas quando ela me disse/ O que faltava, eu gostei/ É pancada, ainda não dei/ Não dei mas ainda vou dar/ Naquela que é dona do meu lar".
Marido da orgia, de Ciro de Souza, esboça uma reação: "Eu já procurei e consultei um advogado/ Ele disse que o caso é encrencado/ Marido da orgia não tem o direito/ De bater numa mulher que se dá ao respeito". A mulher retratada por Cartola não agüenta mais: "Eu fui tão maltratada/ Foi tanta pancada/ Que ele me deu/ Estou toda doída/ Estou toda ferida/ Ninguém me socorreu/ (...) Eu sou tão camarada/ A ele não falta nada/ Ganha um terno por mês/ Agora pancada/ Piorou a maçada/ Eu parei desta vez/ Vou arranjar um português".
A mulher tenta dar o troco – nunca um soco – com o sensacional Seu Oscar, de Ataulfo Alves e Wilson Batista: "Cheguei cansado do trabalho/ Logo a vizinha me falou: – Oh! seu Oscar/ Tá fazendo meia hora/ Que sua mulher foi-se embora/ E um bilhete deixou/ O bilhete assim dizia: 'Não posso mais/ Eu quero é viver na orgia'/ Fiz tudo para ver seu bem-estar/ Até no cais do porto eu fui parar/ Martirizando o meu corpo noite e dia/ Mas tudo em vão/ Ela é da orgia".

Heloisa Seixas

Um comentário:

Sarau da Ademar disse...

Olá!
Você teria o CD 2 também, por favor?
Beijos!

Charles
CharlesXavier1976@hotmail.com